PORTUGAL vs Espanha – Euro 2012
Portugal teve bastantes dificuldades para garantir um lugar neste Europeu, e depois de um início de muito mau nível com um empate a quatro bolas na recepção ao Chipre, num dos resultados mais vergonhosos dos últimos anos, e depois uma derrota na Noruega por uma bola, num erro incrível de Rui Patrício, nem o adepto mais patriota poderia afirmar com toda a certeza de que Portugal iria estar presente no Euro2012.
A mudança de resultados deu-se a partir do momento em que Carlos Queiroz deixou o comando técnico da selecção e para o seu lugar entrou Paulo Bento, que desde cedo deu indícios de desenvolver um trabalho muito superior ao do seu antecessor. Esta foi a viragem necessária para que a selecção volta-se às vitórias, o que aconteceu logo no encontro seguinte no jogo do tudo ou nada frente à Dinamarca, onde uma grande exibição de Nani e claro de todo o colectivo garantiu uma vitória por 3-1. A partir deste momento a selecção começou a coleccionar as vitórias necessárias para garantir pelo menos um lugar no play-off, e nem a derrota na última jornada fez com que esse lugar estivesse em risco.
Nos play-offs Portugal teve de enfrentar a selecção da Bósnia, reeditando assim um confronto que já se tinha verificado no apuramento para o Mundial2010. Portugal voltou a levar a melhor e desta fez fê-lo de uma maneira inequívoca, goleando os bósnios por 6-2 na segunda mão, depois de um empate a zeros em Zenica. Pode-se dizer que, a par do amigável frente à Espanha que acabou com um resultado histórico de 4-0, esta foi uma das melhores exibições da selecção nos últimos anos, e foi uma excelente maneira de carimbar o lugar neste Europeu.
Colocado no Grupo B juntamente com a Alemanha, Holanda e a Dinamarca, o ‘grupo da morte’, Portugal teria de estar ao seu melhor nível para aspirar a um lugar entre os dois primeiros do grupo. No primeiro encontro a equipa das quinas esteve a um bom nível e só por manifesta falta de sorte é que não conseguiu entrar no Europeu a pontuar. Enquanto que Portugal ia atacando e criando muitas oportunidades de golo, a Alemanha aproveitou da melhor maneira a única grande oportunidade de que dispôs e garantiu assim uma vitória com mais demérito português do que mérito próprio. Seguia-se um jogo onde só a vitória interessava aos portugueses, o jogo teoricamente mais acessível do grupo mas contra uma Dinamarca muito moralizada pela vitória na ronda inaugural.
Portugal teve uma entrada pouco acutilante mas rapidamente rectificou a sua postura no jogo, ficando desde logo com o controlo do jogo e a criar as melhores oportunidades de golo. Portugal chegou ao 2-0 ainda antes do intervalo e tudo apontava para uma vitória tranquila, mas a Dinamarca aproveitou o jogo aéreo de Bendtner e conseguiu igualar a contenda quando faltavam menos de 10 minutos para o final da partida. O Portugal de Carlos Queiroz iria sentir uma enorme quebra na confiança e dificilmente voltaria à discussão do jogo, mas a selecção de Paulo Bento tem outro espírito colectivo e conseguiu voltar para a frente do marcador com uma jogada de insistência de Varela, a arma secreta que Paulo Bento tinha feito sair do banco e que acabou mesmo por decidir o encontro.
Seguiu-se o jogo com a Holanda onde a selecção portuguesa realizou uma das melhores exibições de todos os encontros do Europeu, aniquilando por completo todos os pontos fortes dos holandeses e dominando praticamente todo o encontro. Apesar de ter entrado a perder, a selecção lusitana nunca perdeu a concentração e o rigor e acabou por ser compensada com a reviravolta completa, graças também a uma grande exibição de Ronaldo que bisou e assim afastou os críticos que apareceram depois do jogo com a Dinamarca.
Já nos quartos de final o adversário era provavelmente mais acessível do que todas as equipas que Portugal tinha defrontado na fase de grupos, mas numa fase a eliminar qualquer erro seria fatal e era necessário continuar com a qualidade exibicional da primeira fase. Contra a República Checa a primeira parte foi algo morna, com ambas as equipas a não arriscar muito e sem muitas oportunidades de golo. Já nos últimos 45 minutos Portugal voltou a subir o nível de jogo e dominou por completo os checos, sendo recompensado com um cabeceamento certeiro de Ronaldo depois de inúmeras ocasiões de golo criadas e de duas bolas aos postes.
Para este jogo Portugal deverá jogar um pouco mais retraído do que o habitual, e ao invés de controlar a posse de bola irá jogar mais na expectativa e no contra-ataque, tentando aproveitar da melhor maneira as laterais espanholas com a velocidade dos extremos Nani e Ronaldo. Será também de extrema importância conseguir parar o carrossel do meio-campo espanhol, e por isso Moutinho e Raul Meireles deverão estar constantemente a fazer pressão sobre o portador da bola, sob pena de darem um pouco de espaço a Iniesta ou a Xavi e esses encontrarem a brecha necessária na defesa para matar o encontro.
A Espanha teve um apuramento bastante mais tranquilo do que o português, continuando a senda de bons resultados que tinham levado os Nuestros Hermanos ao título mundial em 2010. Num grupo bastante acessível onde a única equipa que lhes poderia fazer frente era a República Checa, os espanhóis acabaram por alcançar o pleno com 8 vitórias em 8 encontros, não dando margem para dúvidas de que era claramente a selecção mais forte. No entanto, o que mais impressionou na fase de apuramento espanhola foi o facto de dominarem claramente todos os encontros e a sua qualidade no último terço do terreno, tempo apontado 26 golos em apenas 8 encontros, o que demonstra bem a força da finalização dos espanhóis. Foi portanto um primeiro lugar bastante fácil, sendo que Del Bosque acabou por aproveitar os últimos encontros para fazer algumas alterações nos jogadores utilizados mas nem assim os resultados deixaram de aparecer, o que também mostra a profundidade do plantel espanhol que mesmo alterando muitos jogadores chave continua a ter duas opções bastante competentes para as mesmas posições.
A sorte esteve do lado dos espanhóis no sorteio para a fase de grupos deste Europeu, tendo colocado a Espanha juntamente com a Itália, Croácia e Irlanda no Grupo C. Um adversário de respeito, uma equipa que poderia surpreender e uma selecção claramente mais fraca que as restantes faziam com que a Espanha fosse considerada claramente favorita para a passagem à próxima fase. No primeiro encontro a Espanha ia sendo surpreendida por uma Itália bastante mais ofensiva que o habitual, mas acabou por fazer o empate com relativa facilidade. Neste jogo a Espanha não conseguiu dominar como habitualmente e sentiu algumas dificuldades no meio-campo, devido à grande pressão por parte dos italianos. Seguia-se o encontro teoricamente mais fácil do grupo e não houve lugar a surpresas, sendo que a Irlanda acabou goleada por 4-0. Desta fez a Espanha teve ao seu melhor nível e demonstrou que quando o tiki-taka começa a funcionar é claramente a melhor selecção do mundo.
Neste jogo Del Bosque voltou a apostar em Fernando Torres depois de ter optado por Fábregas no primeiro encontro, passando assim a actuar com um ponta de lança fixo em vez de um 4-6-0 a recriar o tipo de jogo do Barcelona. A verdade é que com Torres a equipa ganhou muito mais acutilância ofensiva e demonstrou que esta poderá ser a melhor opção para a armada espanhola. No último encontro do grupo o adversário foi a Croácia e o golo que confirmava o primeiro lugar do grupo tardou a chegar, sendo que só depois de já ter colocado Fábregas em campo, sendo que desta vez o ataque com o ponta-de-lança fixo não correu tão bem. Neste jogo a Espanha bem pode agradecer a Wolfgang Stark por ter perdoado duas grandes penalidades que poderiam ter dado a vitória aos croatas, num jogo onde voltaram a não estar no topo das suas qualidades.
Depois de uma fase de grupos relativamente tranquila, a Espanha tinha pela frente uma das mais antigas inimigas, a selecção da França. Perspectivava-se um jogo muito emotivo dada a qualidade de jogo de ambas as equipas nas respectivas fases de grupo, no entanto todas as expectativas saíram frustradas quando Laurent Blanc optou por uma táctica muito conservadora com o objectivo de aguentar ao máximo o nulo. Neste jogo a Espanha foi claramente superior aos franceses e poderia ter até goleado se tivessem forçado um pouco a defesa adversária, tal era a facilidade com que chegavam ao último terço do terreno.
A vitória ficou praticamente assegurada a partir dos 19 minutos, altura em que Xabi Alonso cabeceou para dentro da baliza francesa e colocou os espanhóis em vantagem. O adversário não esboçou qualquer reacção ao golo sofrido e o meio campo espanhol continuou a controlar o jogo a seu belo prazer, como costuma ser apanágio contra as equipas mais fracas. Com o jogo controlado desde cedo, os espanhóis preferiram gerir o esforço pensando já nesta meia-final ao invés de irem em busca de uma vitória rubosta, vitória essa que acabou confirmada graças a uma grande penalidade convertida por Xabi Alonso, que assim bisou no seu 100º jogo pela Roja.
Conclusão: Esta será certamente uma semi-final muito mais equilibrada do que as odds parecem fazer parecer. Portugal tem estado a subir de qualidade de jogo para jogo e encontra-se num momento de confiança incrível, principalmente Cristiano Ronaldo que tem carregado a nossa selecção às costas desde o encontro com a Dinamarca. O principal problema dos portugueses é claramente a finalização, pois apesar de ser das selecções que mais oportunidades cria é também das que mais desperdiça situações claras de golo, e a ausência de Hélder Postiga poderá fazer com que essa eficácia ainda sofra uma diminuição pois Hugo Almeida não tem tanta qualidade como o principal ponta-de-lança da selecção. A Espanha por outro lado ainda não convenceu claramente neste Europeu, e apesar de apenas contar com vitórias nem todas as exibições têm sido tão claras para os três pontos. Mesmo assim continua a ser das selecções que melhor futebol pratica e toda a gente sabe que com o meio-campo num dia sim será praticamente impossível travar a máquina de passes. À semelhança de Portugal um dos principais problemas dos espanhóis é também a finalização, sendo que a falta de David Villa tem feito muita falta pois é claramente o melhor ponta de lança espanhol.
Espera-se portanto que a Espanha faça o seu papel e tome conta do jogo, controlando a posse de bola o máximo de tempo possível e sendo bastante paciente para encontrar uma pequena falha na defesa portuguesa que permita marcar e assim resolver praticamente o jogo. Se a Espanha for a primeira selecção a marcar não tenho dúvidas de que a tarefa portuguesa se torna muito mais complicada, já que a Espanha é mestre a guardar a bola e não irá ter problemas em estar o resto do jogo a fazer passes a meio-campo se o resultado estiver a seu favor, um pouco à semelhança do que aconteceu com a França. Portugal deverá optar pelo contra-ataque pois sabe que se tentar dividir o domínio do jogo o mais provável é acabar derrotado, e assim tem muito mais hipóteses de marcar tendo em conta a velocidade dos seus extremos que em poucos segundos conseguem criar uma grande oportunidade de golo que pode sentenciar o encontro.
Acredito que Ronaldo e companhia realizem novamente uma grande exibição tanto a nível defensivo como ofensivo e que consigam bloquear os pontos mais fortes do meio-campo espanhol, com mais uma demonstração de força de Pepe, que tem sido o melhor central deste Europeu, e também que o tridente formado por Veloso, Meireles e Moutinho volte a estar a um nível elevado que permita não só estar constantemente a pressionar o meio campo espanhol mas também defender com critério e saber lanças os contra-ataques para as alas. Apesar de saber da qualidade de praticamente todo o onze inicial da La Roja, espero que a sua qualidade exibicional continue na ordem do que tem mostrado até este momento e que não tenha um jogo fácil. Posto isto, acredito que Portugal consiga uma meia surpresa e que consiga pelo menos levar este encontro a prolongamento.
| Resultado do Prognóstico: (0-0) | ||
Prognóstico de Apostas: Portugal EH +1 |
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Quota do Prognóstico: 1.80 |
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Unidades Apostadas: 10 |
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Comentários
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Nas apostas temos que deixar de ser apenas um adepto e temos que ser inteligentes a apostar.
Quero que Portugal ganhe mas a Espanha é que deve de ganhar. Por isso o meu concelho é apostar na Espanha