Ovarense – A história de um Tri-Campeonato
Resolvi criar este artigo, por razões do “coração”, não sendo eu vareiro, pois não nasci em Ovar, sinto uma admiração enorme por esta gente e sinto-me um eterno vareiro.
Vejo neste clube um verdadeiro exemplo a seguir, quando a moda são as noticias de corrupção de salários em atraso, este clube, tem uma folha de registos notável relativamente a essa matéria.
Quando é frequente assistirmos a diversos clubes, queixarem-se que as suas “ditas” modalidades amadoras não são sustentáveis, o que dizer desta Ovarense, que não tem nenhum colosso do futebol por trás, quando Ovar não está num grande centro urbano, como Lisboa, Porto, Aveiro, Coimbra, Braga ou Setúbal, e mesmo assim consegue ter uma equipa 100% competitiva, vencedora e cumpridora?
Como é que Ovar, sendo uma pequena cidade, com poucos habitantes, consegue jogo após jogo, lotar a sua Arena, e arrastar para os mais diversos palcos os seus apoiantes? Não oferecemos bilhetes as escolas, nem tentamos arranjar publico para as finais…
Tudo isto porque a Ovarense e liderada e gerida por autênticos profissionais que tem na sua dedicação ao clube a sua maior virtude.
Relembro que a Ovarense anos a fio jogou num dos piores pavilhões que alguma vez vi, a Ovarense nunca teve infraestruturas capazes de acompanhar a sua equipa, e nisso os seus adversários eram bem melhores.
A Velhinha caixinha de fósforos, assim conhecido o antigo pavilhão, viu jogar vários praticante de primeira agua, quem não se lembra da melhor equipa de sempre do panorama nacional, falo do Benfica, que tinha nas suas fileiras jogadores como Henrique Vieira, Carlos Lisboa, o falecido Michael Plowden, Jean Jacques, José Carlos Guimarães, Barbosa, entre outros que se não fosse o titulo alcançado pela Ovarense em 1987, este Benfica teria conquistado 10 títulos consecutivos, sim 10 !
A Caixinha, viu jogar o melhor estrangeiro de sempre o super talentoso Mario Elie, que mesmo nas suas várias ondas de sucesso (foi varias vezes campeão pelos Spurs e pelos Rocketts) nunca esqueceu onde foi campeão pela primeira vez. A Caixinha também viu uma das melhores equipas europeias que há memória o POP 84 da ex-Jugoslavia, onde pontificavam entre outros, jogadores como Dino Radja, Tony Kukoc (campeão pelos Bulls de Jordan), Dejan Perasovic, Vrankovic (ex-poste dos Celtics).
E sabem de uma coisa? Tive a felicidade de ver estes jogadores actuarem ao vivo.
Com a nova Arena, as condições melhoram de forma exponencial, para alem do conforto, a lotação de 3000 pessoas deixavam os adeptos vareiros mais confiantes e descansados, pois não raras vezes inúmeros adeptos não conseguiam assistir aos jogos.

Para este campeonato que agora findou, a final foi a esperada.
Porto e Ovarense são sem qualquer tipo de dúvidas as melhores equipas nacionais, mas de muito longe mesmo.
O Porto tinha como objectivo roubar o ceptro a Ovarense, e esta revalida-lo.
Desta forma a classificação da fase regular não surpreendeu ninguém.

O Ovarense manteve o seu núcleo duro, saiu o veterano Jackson e para o seu lugar foi contratado Brown ao Lusitania dos Açores. João Abreu, foi contratado para ser o terceiro base e teve um papel fundamental nesta final.
O Porto contratou Rui Figueiredo, Terrell, Morris e Payton. Terrell e Morris eram, e são jogadores com nome feito, bons praticantes.
A Ovarense a meio da época mudou de timoneiro, Luis Magalhes foi abraçar um projecto em Angola, e para o seu lugar foi contratdo Manuel Povea, um técnico espanhol contratado ao Lusitania. Com isto a Ovarense sentiu, foi abaixo, pois o basket desenvolvido era outro, os jogadores sentiram alguma dificuldade em compreender os métodos e a filosofia do Sr. Povea.
Ben Reed, o mágico, logo no primeiro jogo do campeonato, lesionou-se num ombro, e jogou limitado durante vários jogos e com isto o seu rendimento baixou, houve a necessidade natural de o subsitituir, para o seu lugar foi contratado John Waller, um típico Americano de Play ground, que só joga com quer, e que tem na sua capacidade de tiro exterior a sua principal arma, ou seja, um jogador completamente de diferente de Reed, mas que não se encaixou a 100% na filosofia da Ovarense.
Cordell Henry, jogou a parte final da época complemente debilitado, penso que nunca jogou a 70 % do seu valor, estava completamente preso de movimentos, e com isto João Abreu ganhou minutos e protagonismo.
Ou seja, aparentemente a Ovarense tinha 2 grandes revés para este playoff, ao passo que o Porto estava certinho, tinha Marçal em soberba forma, Morris dominava nas tabelas e Terrell e Cunha faziam o resto.
O Porto mantinha os lusos Marçal e Cunha (pessimo playoff), e contraram Rui Figueiredo, que penso que foi uma excelente contratação, pois tem atitude e coragem. E Apostou e Americanos de nomeada, com Terrell e Morris a cabeça, Payton foi a desilusão total!
Mas os playoffs correram de forma completamente normal, sem qualquer tipo de surpresas, a “malta” so queria ver a final prevista e aguardada.

Esperava-se equilíbrio para esta final, e tal verificou-se , eis os resultados dos 6 primeiros jogos desta final:
Ovarense – FC Porto, 59-61
Ovarense – FC Porto, 74-72
FC Porto – Ovarense, 72-69
FC Porto – Ovarense, 59-69
Ovarense – FC Porto, 69-57
FC Porto – Ovarense, 71-69
Podemos facilmente verificar que as vitorias do Porto nunca foram superiores a 3 pontos.
Jogo 1: Fui ao Arena Dolce Vita. Vi um péssimo jogo, muito mal jogado, muitos turnovers….
Vitória do Porto por 2 pontos, decidido na ultima bola do jogo.
A figura: Toree Morris, capturou 12 ressaltos e marcou 14 pontos, esteve imperial na tabela quer ofensiva quer defensiva.

Sendo mesmo o MVP da partida.
Pavilhão esgotado, todos saímos com a sensação que não sendo impossível, iria ser complicado.
Os poucos adeptos portista (cerca de uns 20) fizeram a justa festa.
Jogo 2: Vitória da Ovarense por 2 pontos.
Mais um jogo mal jogado, mas muito equilibrado.
Neste jogo, destaco 2 jogadores, Marçal por parte do Porto e Brown por parte da Ovarense.
Marçal esteve monstruoso, marcou 29 pontos, da linha dos 3 pontos marcou 4 em 6, o que é excelente, sempre que Ovarense distanciava-se na vinha bomba do Sr. Marçal.
Aproveito para realçar o coração deste jogador, o único portista que “puxava” pelos seus adeptos, pedindo sempre apoio. Grande atitude.

Brown, este imperioso na luta das tabelas, obteve 15 ressaltos, e marcou 16 pontos, foi por ele que a Ovarense venceu jogo, pois dominou por completo o jogo interior, apagando por completo Morris que no jogo anterior tinha sido a figura, o apagão foi de tal forma evidente que o americano do Porto, apenas marcou 2 pontos e capturou 2 ressaltos.
Pavilhão Lotado.
Jogo 3: Vitória do Porto por 3 pontos.
O Porto entrou no jogo bastante decidido, e com bastante vontade em vencer o encontro, a Ovarense foi surpreendida com tal entrada, e facilmente o Porto chegou a uma vantagem de 10 pontos, que soube administrar de forma inteligente durante toda a primeira parte.
Na segunda parte a Ovarense correu atrás do prejuízo, conseguindo atenuar e mesmo a entrar na briga do jogo, muito graças a uma alteração táctica introduzida por Povea, Stempin passou a jogar a 4, ou seja, largou a posição 3 em que vinha jogando, para dar um maior apoio a Brown, com isso a Ovarense conseguiu aproximar-se.
Stempin, marcou 20 pontos neste jogo, sendo mesmo a sua melhor exibição nesta final.
Mas a grande figura deste jogo foi o Americano Terrell, marcou 23 pontos e obteve 10 ressaltos.
O Porto ganhava vantagem na eliminatória, e colocava a pressão para o lado de Ovar, pois o 4 jogos era novamente disputado em Matosinhos, bastião azul e branco.
Jogo 4: Vitória da Ovarense por 10 pontos.
Realço que para este jogo, se deslocaram a Matosinhos 1350 adeptos vareiros.
Vitória justa e tranquila da Ovarense. Sempre a frente do marcador vencendo o 1º, o 2º e o 4º período.
Jogo Brutal de Brown, marcou 33 pontos e ganhou 11 ressaltos, dominou de forma completamente cabal o jogo interior.

João Abreu, em 12 minutos, marcou 11 pontos, e deu uma velocidade incrível ao jogo, quando os jogadores do Porto já sentiam algum cansaço.
E eliminatória estava novamente empatada.
A emoção estava ao rubro. Tudo apontava para uma negra.
Jogo 5: Vitória da Ovarense por 12 pontos.
Outro jogo tranquilo por parte da Ovarense.
Neste jogo quem sobressaiu foi o banco de suplentes da Ovarense, pois foram vários os pontos marcados pelos jogadores menos utilizados.
Cordell Henry efectuou o seu melhor jogo desta final, marcou 11 pontos e pautou muito bem o jogo da Ovarense, provocando imensas faltas ao sector defensivo portista, foi 9 vezes para a linha de lance livre.
Elvis Evora, esteve muitíssimo bem, jogador que estava a ser tapado pelas soberbas exibições de Brown, mostrou que estava presente, para além de ter marcado 10 pontos, alcançou 6 ressaltos, números excelente para apenas 12 minutos em “campo”.
Cortez e André Pinto também foram preciosos, Cortez a defender Marçal e na tabela defensiva 4 ressaltos, esteve muito bem, ambos somaram 12 pontos e mais de 10 ressaltos.
Neste jogo Gentry esteve um desastre, uma nulidade no jogo interior, Marçal foi bem defendido e a sua ofensividade acusou tal.
Este jogo o Porto perdeu na tabela ofensiva, pois so conseguiu capturar 3 ressaltos contra 11 da Ovarense, ou seja, o Porto raramente teve a chamada segunda bola.
Jogo 6: Vitoria do Porto por 2 pontos.
Cerca de 1.500 adeptos vareiros visitaram Matosinhos, com o objectivo de festejar em casa do rival o tri-campeonato.
Este foi mais um jogo de Terrell, 20 pontos e 10 ressaltos, esteve sublime. Mas quem venceu o jogo foi Morris, para além dos 18 pontos, e dos 5 ressaltos, esteve muitíssimo bem no jogo interior, obteve uma óptima percentagem de acerto (62%) e foi fulcral no domínio das tabelas, ele e Terrell foram imperiais.
Jogo 7: A festa era muita.
Os bilhetes já estavam esgotados na Sexta-Feira.
A romaria deu-se cedo, era cerca de 15.30 quando as portas foram abertas, e o publico começou a entrar, e os cânticos não se fizeram esperar.
O publico de Ovar é assim, não sabe assobiar a sua equipa, perdendo ou ganhando a nossa equipa, é Nossa!
A Ansiedade reinava na Arena, o publico queria o tri! Mas havia muito respeito e medo, pois o adversário era muito bom, e vinha jogar para ganhar.
Imagens do Jogo 7:
A Ovarense entrou de forma magnifica não dando qualquer hipótese ao Porto, apenas no 1º quarto o Porto deu alguma replica.
O Porto tinha imensas dificuldades no seu jogo interior e o exterior não existia, Marçal não esteve nos seus dias.
Com um publico inflamado, sempre a empurrar a Ovarense para a frente, a vitoria adivinhava-se.
No final do primeiro quarto tínhamos um parcial de 21-14.
O segundo quarto foi o desnorte completo para a nau azul e branca, o publico era infernal, o Porto não conseguia jogar, e a Ovarense sempre profissional não desarmou continuou o seu jogo e com o avançar dos minutos o inevitável iria acontecer, assim ao intervalo:
Durante o intervalo a festão já estava prestes a soltar-se, os adeptos portistas naturalmente estavam tristes, e não viam perspectivas de melhorias.
Alberto Babo, treinador do Porto, so colocava as mãos a cabeça sentindo-se completamente impotente. Por mais trocas e baltrocas que fizesse o jogo era de sentido único.
Ate ao final foi um jogo sem história!
Era a vibração de quem vencia e a desolamento e a impotência total de quem perdia.
O resultado final expressou bem o que foi o jogo, um jogo que o Porto não conseguiu chegar os 50 pontos em 40 minutos….
Resultado Final : 70-49
Com o apito final foi a loucura……
Um palavra final para os adeptos Portistas presentes foram de um autentico fair Play, não causaram problemas e souberam reconhecer…foram brilhantes, nada a haver com a claque do ano passado….
O Troféu:
Ovar, és a maior!
Ditos do Jornal OJOGO:
Dez minutos, nem um a mais, foi quanto bastou de jogo para adiantar com muita segurança o campeão nacional de basquetebol versão 2007/08.
Embalada por um público único, que mexia no sistema nervoso dos portistas, a Ovarense acabou por garantir o jogo mais tranquilo das finais, quiçá da época, fruto de uma defesa brilhante, a desesperar os homens de Alberto Babo…
Eis os Tri-Campeões:











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vais-me desclpar…mas a gente que tem no concelho de ovar enchia um monte de pavilhoes.. e dps já que não há futebol apoia-se o que há que é o basket .. poucos habitantes…. eu moro ao pé de ovar numa terra pequena e tem mais de 15 mil habitantes..
Caro Sr. Vitor,
Mesmo quando Ovar tinha futebol, o seu pavilhao de basket rebentava pelas costuras….
O concelho de Leiria é mais populoso que o de Ovar, e nos jogos de futebol, estao sensivelmente 300 pessoas….
O dia 24 de maio 2008 ficará para sempre gravado no meu coracao. A OVARENSE ganhou o campeonato de basquetebol – TRI CAMPEONATO- teve um sabor muito especial porque teve de ir à negra! Mas sobretudo porque o JOAO ABREU foi campeão nacional ! perante o FC PORTO , clube que o dispensou após lesão. Grande João nunca se deu por vencido lutou contra tudo e contra todos para continuar a jogar basquetebol, que tanto adora. Sofeu muito, pagou os tratamentos à conta dele pois, o PORTO abandonou… FORÇA JOÃO és o nosso orgulho e serves de exemplo a outros jovens . PARABÉNS A TODA A EQUIPE DA OVARENSE e a todos os seus sócios e simpatizanres.
oh pá um dos jogos o bando de pardais á solta(os putos) tinham lugares de borla
Parabens Ovarense! Projectos destes com credibilidade é que faltam a este Portugal submerso na desgraça….
Sem duvida magnifico! Os vareiros são os maiores! OVARENSE sempre
«TRI-CAMPEÕES» …! Somos nós! Ouvi falar que há para aí um tri-campeão em futebol…!!! Uma cidadesinha,um clubesinho, mas um POVÃO, em adeptos, jogadores e dirigentes. Somos um símbolo e um Modelo de clube em Portugal, pena é que a modalidade não tenha o lugar que merece,tudo por culpa do todo poderoso e falido futebol.